segunda-feira, setembro 29, 2008

Acompanhe a cronologia da crise financeira dos Estados Unidos

da France Presse, em Paris

A seguir os principais fatos e datas da crise dos créditos hipotecários de alto risco ("subprime"), que se converteu em um desafio para os governos de todo o mundo.

Fevereiro de 2007: os créditos hipotecários insolventes nos Estados Unidos se multiplicam e provocam as primeiras concordatas e falências de bancos especializados do setor.

Junho: o banco nova-iorquino Bear Stearns anuncia o colapso de dois de seus fundos especulativos em decorrência dos "subprimes".

Agosto: as Bolsas caem diante dos riscos de contágio da crise. Os bancos centrais, entre eles o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) e o BCE (Banco Central Europeu), intervêm para conceder mais liquidez aos mercados.

14 de setembro: o Banco da Inglaterra (BoE) salva o Northern Rock, o quinto banco de empréstimos imobiliários no Reino Unido, ameaçado de falência por correntistas que fazem fila nas agências para retirar seu dinheiro.

Outubro/dezembro: vários grandes bancos anunciam desvalorizações de ativos.

22 de janeiro de 2008: o Fed reduz sua taxa básica em 0,75 ponto percentual, a 3,5%; a amplitude da redução é excepcional.

17 de fevereiro: o governo britânico nacionaliza o agonizante Northen Rock.

11 de março: os bancos centrais unem novamente esforços para aliviar o mercado de crédito.

16 de março: o gigante norte-americano JPMorgan compra o banco de investimentos Bear Stearns pela soma de US$ 236 milhões, com ajuda do Fed. O preço de compra seria quintuplicado uma semana mais tarde.

Julho-agosto de 2008: o Tesouro americano anuncia um plano de resgate dos grupos de refinanciamento hipotecário Freddie Mac e Fannie Mae e oferece garantias de até US$ 100 bilhões para as dívidas de cada uma dessas instituições.

15 de setembro: o banco de investimento americano Lehman Brothers anuncia concordata. Seu concorrente Merrill Lynch é vendido de emergência para o Bank of America por US$ 50 bilhões.

Dez bancos internacionais criam um fundo de emergência de US$ 70 bilhões para atender a suas necessidades mais urgentes. O Fed aceita receber dos bancos os títulos considerados de risco em troca de dinheiro fresco, enquanto outros bancos centrais abrem suas válvulas de crédito.

Todas essas medidas não impedem uma forte queda das bolsas mundiais.

16 de setembro: o Fed e o governo americano nacionalizam de fato o grupo de seguros AIG (American International Group), ameaçado de falência, concedendo-lhe um crédito de US$ 85 bilhões em troca de 79,9% de seu capital.

17 de setembro: as bolsas mundiais continuam caindo e o crédito se esgota no sistema financeiro.

18 de setembro: o banco britânico Lloyd TSB compra seu concorrente HBOS, ameaçado de falência. O Fed eleva o total de suas operações de "swap" com outros bancos centrais a US$ 180 bilhões.

As autoridades americanas anunciam que prepararão um plano para sanear os bancos de seus ativos podres.

19 de setembro: as Bolsas mundiais disparam depois do anúncio do plano de resgate americano.

21 de setembro: o secretário do Tesouro americano informa os primeiros detalhes do plano e começam as negociações entre o governo republicano e o Congresso democrata para aprová-lo.

22 de setembro: o Fed anuncia ter aceitado a proposta que transforma os bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley em holdings, que perdem sua condição de banco de investimento e, além de poder atender como banco comercial a correntistas, terão acesso à janela de crédito federal.

23 de setembro: As discussões da Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York, são dominadas pela crise financeira. Os mercados financeiros ficam mais preocupados com as dúvidas em torno do plano americano.

26 de setembro: as ações do banco belgo-holandês Fortis afundam devido às dúvidas sobre sua dissolução. Nos Estados Unidos, o banco JPMorgan assume o controle de seu concorrente Washington Mutual com a ajuda das autoridades federais.

28 de setembro: Anuncia-se um acordo no Congresso americano sobre a votação do plano de salvamento do sistema financeiro. Na Europa, o Fortis foi resgatado pelas autoridades belgas, holandesas e luxemburguesas. No Reino Unido, o banco Bradford and Bingley é nacionalizado.

29 de setembro: A Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) dos EUA rejeitou o pacote de US$ 700 bilhões de salvamento para o setor financeiro norte-americano, apesar dos apelos de urgência do presidente dos EUA, George W. Bush. O plano recebeu 228 votos contra e 205 a favor.

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