quarta-feira, outubro 08, 2008

Sebastião Nery: 2o Turno

RIO –
Marco Maciel e Walter Costa Porto sempre foram amigos. Companheiros de infância no Recife, afilhados politicos de Etelvino Lins, depois Paulo Guerra, depois Nilo Coelho, depois Petrônio Portela.

Deixaram juntos Pernambuco e sentaram praça em Brasília. Marco na presidência da Câmara Federal, Walter na chefia do gabinete do ministro Armando Falcão. Brilhantes e bem comportados, muitos pontos acima da medíocre media da Arena, estavam na Côrte de olho na Província.

Marco queria Pernambuco. Walter queria Recife. Marco acabou ganhando Pernambuco, nomeado governador no fim do governo Geisel e começo do governo Figueiredo. Walter tinha certeza de que teria Recife.


MACIEL

Quando Marco foi sagrado governador em outubro de 78, Walter esperou ser convidado em novembro. E não foi. Passam os dias, morre dezembro, nasce janeiro. E nada. Marco, no Recife, calado, adiando. Walter, em Brasília, amuado, esperando.

Até que, numa noite calma, Marco liga para Walter :

- Precisamos conversar. Quero que você seja o prefeito do Recife.

- Não posso, Marco. Agora é tarde. O Petrônio me convidou para a secretaria-geral do ministério da Justiça e eu aceitei.

- Não faça isso, Walter. Você sabia que eu ia convidar você.

- Sabia, não, Marco. Pensava. Não sou homem de janeiro, Marco.

Desligou. E lá se foi uma amizade de 30 anos.


HELIO E MARTA

Em eleição é a mesma coisa. Há candidatos de dezembro e candidatos de janeiro, de primeiro e de segundo turno. Helio Costa foi candidato ao governo de Minas em 90. No primeiro turno, ficou logo atrás de Helio Garcia. No segundo turno, perdeu longe para Helio Garcia.

Em 94, Helio Costa disputou novamente o governo, contra

Eduardo Azeredo. Parecia imbatível. No primeiro turno, 49,98% dos votos. Eduardo Azeredo, pouco mais de 16%. No segundo turno, o governador Helio Garcia e o PT apoiaram Azeredo. Helio Costa desabou e perdeu.

A Marta Suplicy tem cara de Helio Costa. Não é boa de chegada. Em 98, candidata ao governo de São Paulo contra Maluf e Covas, parecia que ela é que enfrentaria Maluf no segundo turno. Ficou em terceiro lugar. Perdeu a passagem para o segundo turno para Mario Covas por 0,5%. Segundo turno não é só outra eleição. É sobretudo uma eleição diferente. Não tem aquele punhado de candidatos ganhando eleitores por amizade pessoal. Segundo turno é mano a mano, olho no olho, voto a voto.


SARNEY

O senador Sarney precisa rezar. É o mínimo. Sem candidato viável a prefeito de São Luis, teve que apoiar o do PC do B, que foi para o segundo turno lá atrás. Em Macapá, Camilo Capiberibe, filho do ex-governador e ex-senador João Capiberibe, que ele cassou,e a mulher deputada também, acusados de comprarem dois votos a 26 reais cada um, saiu para o segundo turno bem na frente (60 mil votos) do candidato de Sarney (48 mil votos).

Mas, no lamaçal da corrupção, Sarney deu uma sorte. Duas paginas terríveis da “Folha de S. Paulo”, publicadas no dia da eleição, foram um pouco dissolvidas no noticiário eleitoral : a Policia Federal e o Ministério Publico Federal indiciaram a família Sarney e um grupo de amigos deles, nomeados por indicação de Sarney para o ministério de Minas e Energia, a Eletrobrás, a Eletronorte, etc., por fazerem todo tipo de trampolinagens.

Há uma folha inteira de gravações telefonicas : coisas horrorosas.


BOM DE NETO

Brizola Neto é o deputado federal do PDT do Rio, Carlito Daut Brizola. Leonel Brizola Neto é o vereador (eleito agora) do PDT do Rio, Leonel de Moura Brizola Neto. Juliana Brizola é a vereadora do PDT de Porto Alegre (eleita agora), irmã gêmea de Carlito Daut Brizola.

Os três são filhos de José Vicente Brizola, o filho mais velho de Brizola. A menina, não conheço. Os rapazes, sei bem. São gente boa, exemplares. Brizola era bom de neto.


HELOISA

Bonito fez a Heloisa Helena (Psol) : 29.615 votos para vereadora em Maceió, com um bom prefeito contra. Em Alagoas, é um mundão de votos.


RENILDO

Tambem fez bonito o Renildo Calheiros (PC do B) para prefeito de Olinda, no primeiro turno. Irmão do senador Renan e do deputado Olavo, é há muito deputado por Pernambuco. Os irmãos Calheiros são bons de urna.


NOBLAT

Mais um testemunho sobre a “tese do poste”(“Lula elege um poste”):

- “A rejeição a Marta só é menor do que a de Maluf. Da primeira vez em que Lula esteve em São Paulo para reforçar a campanha de Marta, ela tinha 40% nas intenções de voto. Caiu. E caiu mais um pouco depois que Lula passou por lá novamente. Lula não transferiu votos para Marta no primeiro turno. Por que transferirá no segundo”? (Blog do Noblat).


HIDRÓLISE ENZIMÁTICA

Conta a “Folha” que, falando a professores, a ministra Dilma citou varias vezes a “hidrólise enzimática”. A maioria não sabia que troço era aquele. Assessores perceberam a situação e explicaram que é um “processo quimico para transformar sobras de vegetais em energia”. Imaginem a Dilma, candidata, falando em “hidrolise enzimatica” lá em Jaguaquara.

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