quinta-feira, julho 02, 2009

Manguinhos vai importar e concorrer com a Petrobras

Monitor Mercantil (RJ)
Manguinhos vai importar e concorrer com a Petrobras


Manguinhos vai importar e concorrer com a Petrobras
Únicanopaís semaparticipa-ção da Petrobras, a Refinaria de Manguinhos voltará a importar petróleo a partir de julho para disputar mercado com a estatal. Apesar de ter uma capacidade de processamento mínima perto do volume que passa pelas 13 unidades de refino daPetrobras, Manguinhos também terá sua capacidade de armazenamento oferecida para outras empresas do setor.
As negociações estariam avançadas com a AleSat e a Cosan, que adquiriram respectivamente as distribuidoras Repsol e Exxon em 2008. O vice-presidente do Conselho Administrativo de Manguinhos, Fnipe Rizzo, não confirma a existência de negociação, mas garante que faz parte dos planos da nova administração da empresa um melhor aproveitamento dos tanques existentes na refinaria, que somam o maior volume de armazenamento privado do país, perdendo apenas para o Porto de Santos (que possui o dobro de capacidade para hquidos).
No total, é possível armazenar em Manguinhos até 1,5 milhão de barris - quase equivalente ao consumo diário no Brasü.
Duto
A empresa planeja construir um duto de sete quilômetros ligando a unidade até a via férrea da MRS, que chega até o porto, pois "com isso será mais fácil a importação do óleo", informou Rizzo, que também dirige a fiUal da empresa Doris, de projetos para a indústria de petróleo. Ele acredita também que o armazenamento de combustíveis na refinaria permitirá maior' 'folga" para o caso da Petrobras voltar a deixar os preços do diej^ e da gasolina mais baixos no mercado interno do que o praticado internacionalmente. "Podemos aguardar o melhor momento para negociar o produto importado", comentou.
Petróleo da Bolívia
Manguinhos receberá a primeira carga de petróleo importada nas próximas semanas. Serão apenas 50 rml bams de petróleo leve provenientes da BoKvia, que será utUizado para fazer um mix e produzir nafta, gasolina e óleo combustível. Nesta primeira fase da retomada de suas atividades, a empresa já deve saltar de um processamento que vinha mantendo a partir da nafta produzida nas centrais petroquímicas na casa dos cinco mil metros cúbicos por dia (pouco menos de 30 mil barris) para 25 mü metros cúbicos (150 mil barris por dia). A expectativa é de que até o fmal do ano, este volume salte para 70 mil metros cúbicos (quase 450 mil barris por dia).
Recuperação
Prejudicada entre o final de 2005 e meados de 2008 com opção da Petrobras pela manutenção dos preços do diesel e da gasolina no mercado intarno mais baixos do que os do mercado internacional - o que inviabilizou o processamento competitivo de óleo importado - a companhia teve toda a sua produção suspensa em meados do ano passado, depois de manter apenas o mínimo das atividades. Neste período acumulou dívidas de R$ 40 milhões junto a bancos nacionais, até ter seu controle passado das mãos dos acionistas, a espanhola Repsol e o Grupo Peixoto de Castro, para a empresa Grandiflorum Participações, presidida pelo ex-secretário Nacional de Comunicação do PT Marcelo Sereno. A aquisição foi negociada por R$ 7 milhões.
A companhia deve R$ 40 milhões a bancos e fechou o primeiro semestre com prejuízo de R$ 17 milhões. Os novos proprietários anunciaram que contratarão 400 empregados - atualmente, tem menos de 100 - para retomar a atividade de refino. Sereno foi braço direito do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e deixou a direção nacional do PT em 2005, após os episódios envolvendo o partido no caso do mensalão.

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