BRASÍLIA - O ex-presidente José Sarney anunciou formalmente o seu apoio ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula terá a minha colaboração. Com sua experiência de negociador, ele pode ser um forte componente de estabilidade pelo seu conhecimento de movimento sindical, de sociedade civil. Ao contrário do que dizem, será um ponto de estabilidade e não de instabilidade", afirmou o ex-presidente, após encontro com Lula.
Conforme relato de Sarney, na conversa, Lula informou que pretende, caso eleito, voltar com o programa do leite dentro do projeto de combate à fome. Ele previu que todo o PMDB irá apoiar Lula no segundo turno e ressaltou: "Com esse conjunto de forças, certamente ele ganhará a eleição".
Com a adesão do ex-presidente, Lula obteve o apoio do segundo ex-presidente do País à sua campanha, uma vez que Collor já manifestou seu apoio ao candidato Ciro Gomes, da Frente Trabalhista. Não é a primeira vez que Sarney marcha com Lula. No segundo turno das eleições de 1989, a família Sarney votou em Lula. Collor representava o inimigo que ganharia a eleição com base em uma campanha de acusações e calúnias contra o presidente e seu Governo.
Ao formalizar seu apoio a Lula, Sarney tentou garantir o terreno da família nos próximos quatro anos da quadra política. Enquanto o pai vai de PT, seus filhos mantêm pontes com outros candidatos. A filha, Roseana Sarney, ex-governadora do Maranhão, já deixou clara sua simpatia por Ciro Gomes, mas a situação regional a impede de declarar apoio ao candidato da Frente Trabalhista.
O outro político da família, o deputado Sarney Filho, mais conhecido como Zequinha, já sinalizou seu apoio ao tucano José Serra, mas foi praticamente proibido pelo pai e pela irmã de levar o flerte adiante. A mágoa com os tucanos é enorme. Roseana e o pai estão convencidos de que a apreensão dos R$ 1,3 milhão no escritório da Lunus, empresa da ex-governadora, foi uma armação de Serra.
Seguindo a regra de obediência aos mais velhos da família, Zequinha, pelo menos publicamente, abandonou o projeto Serra e agora está cedendo ao assédio do PT. Na semana passada, os petistas queriam homenageá-lo como "o melhor ministro do Meio Ambiente", durante a passagem de Lula pelo Acre. Sarney pai pediu cautela ao filho e o orientou a esperar mais um pouco.
A forte presença da família Sarney na política do Maranhão nas últimas décadas foi transportada para o cenário nacional em 1984, quando o chefe do clã, num mirabolante arranjo político, saiu do antigo PDS e foi para o PMDB para ser o vice de Tancredo Neves. No ano seguinte, assumiu a Presidência da República e de lá para cá a família só esteve longe do poder no curto período de Collor, entre 1990 e 1992. Com o fracasso da pré-candidatura de Roseana, ruiu o sonho do clã de fazer mais um de seus integrantes ocupar a Presidência. Agora, o esforço é para garantir o futuro, seja quem for o vencedor das eleições.
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