A disputa entre Chávez e "cualquier otro" é sintomática: em 10 anos, a oposição venezuelana não emplacou nenhuma liderança capaz de dobrar Chávez nas urnas - embora tenha tentado fazê-lo fora delas, no fracassado golpe de Estado de 2002. Alfredo Keller, à frente do instituto de pesquisas, explica que a oposição venezuelana é inconsistente, e seus líderes não têm força: "Porque os que são fortes ou estão no exílio ou são desacreditados pelo aparato de propaganda permanente do governo."
Keller lista cinco razões para o desgaste de Chávez...
>> não deu solução aos principais problemas dos venezuelanos, especialmente em segurança, criminalidade, alto custo e qualidade de vida;
>> não cumpriu compromissos com os trabalhadores;
>> estimulou o conflito e a violência social;
>> há um repúdio às iniciativas contra a liberdade;
>> há uma leitura crescente de que se Chávez se converte em um ditador
... e mais quatro razões para sua popularidade oscilar ao longo dos anos, ora a favor, ora contra:
>> é um excelente candidato, com carisma, capacidade de ataque para desqualificar seus oponentes e muito pouco escrúpulo para violar as leis e utilizar recursos públicos;
>> controla pessoalmente todo o aparato burocrático do Estado;
>> entre as eleições, atua como ditador, e sua popularidade cai; em campanha, é generoso com o povo, distribui dinheiro público, e sua popularidade sobe;
>> a oposição é inconsistente.
A percepção de que faltam alternativas políticas a Chávez foi captada em enquete de outro instituto de pesquisa, o Hinterlaces. Em junho, o grupo mediu que a popularidade do presidente havia caído 11 pontos desde fevereiro, chegando a 41%. Em agosto, apontou que 72% dos venezuelanos reprovam o fechamento de 34 rádios e 57% rejeitam o "socialismo do século 21". Mas para 75% dos venezuelanos, faltam novos líderes ao país.
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