segunda-feira, setembro 14, 2009

O pior de todos os mundos

A candidata do Lula a sua sucessão, Dilma Rousseff, representa a síntese de uma série de males, o que deve lhe dificultar - se é que não inviabiliza de imediato - uma suposta eleição. À parte os números da sua rejeição, que sempre que se sonda encontram-se em patamar que representa o dobro da intenção de votos, e que chegou recentemente a quase 40% do eleitorado, importa muito mais tentar entender a sua viabilidade político-eleitoral, o que pode depois explicar - ou não - esta altíssima rejeição.
Em primeiro lugar, a Dilma foi apresetada como executiva durona, capaz de fazerem chorar as autoridades que, por dever de ofício, são obrigadas a sua convivência, e muitas vezes porque a Ministra não aceita argumentos contrários às suas ordens, nem mesmo os argumentos legais servem para lhe aplicar a ira. Não foram poucos os desafetos conquistados pela Ministra entre os servidores de carreira dos ministérios. Bem, podem dizer muitos, isto é irrelevante, pois tais servidores não tem densidade eleitoral para impor uma derrota à Dilma. Isto é fato, mas é fato também que tais servidores, cargos de confiança da base aliada do Presidente, são normalmente pessoas da confiança de político como Geddel, por exemplo. Ao comprar a briga com tais servidores, a Dilma está, na verdade, comprando briga com o Geddel Vieira Lima.
Partindo deste ponto, vê-se que aquilo que poderia ser considerado uma arma eleitoral da Ministra, que é justamente a chave do cofre para atendimento às demandas dos políticos, tem se revelado fonte de inúmeros problemas, sendo o primeiro deles justamente a Bahia, que tem como representante do PMDB o também ministro Geddel.
Até agora, portanto, aquilo que poderia, nas mãos de outro possível candidato, ser utilizado como poderosa arma na cooptação das diversas forças políticas em torno do projeto de eleição da Dilma-2010, transformou-se numa enorme dor-de-cabeça para o PT e para o Lula. Sem dúvida, a falta de habilidade política da Dilma no trato com os políticos deixa muitas dúvidas sobre o que sobrará do PMDB em torno do Lula e do seu projeto para 2010.
Há que se entender também que a Dilma nunca foi, nem é, uma política. Nunca participou de eleições e, portanto, nunca teve que amealhar um único voto. Há dúvidas, portanto, em colocar alguém que não é político no comando de um país complexo, cheio de demandas regionais específicas e que exigem negociações e acomodações altamente intrincadas e difíceis. Se a Dilma está se revelando ruim na casa civil e com tanto dinheiro disponível, imaginem só o que seria se coubesse a ela o papel que cabe a um Lula, que tem trazido para si toda a articulação política e abusado de sua popularidade - ou da popularidade do mito-Lula, como queiram - para apagar os incêndios gerados a partir da guerra civil, desculpem, da casa civil.
Do lado do PMDB, já há quem queira partir para uma cômoda neutralidade em 2010, deixando o PMDB livre, leve e solto para apoiar o candidato que ganhar, e liberando os Estados a fazerem sua política sem as amarras ao projeto - que alguns já pensam estar previamente condenado ao fracasso - do Lula e sua Dilma-2010.

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