quarta-feira, março 17, 2010

O poder dos bancos no Brasil, os juros e o dilema do reformista

Sabe-se que os lucros dos bancos brasileiros, graças às altas margens (spread), é muito elevado em termos absolutos. Em termos relativos, entretanto, estão dentro da média mundial para o setor, como se mostrará - com fontes secundárias, porém fidedignas - nos trechos que reproduzo abaixo:

"Rentabilidade ficou pouco acima da média
http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=267326&modulo=968
18.08.2009
Apesar de os bancos estarem na dianteira do lucro em termos absolutos, a rentabilidade do setor, que leva em conta o lucro líquido sobre o patrimônio líquido, ficou ligeiramente acima da média. No primeiro semestre deste ano, a rentabilidade das instituições financeiras atingiu 7,9%, ante a média de 7,3% para os 303 balanços analisados. A rentabilidade da Petrobras, por exemplo, foi maior, de 9,4% no período.
O maior índice de rentabilidade ficou para as empresas que operam no setor de cartões, credenciando estabelecimentos e capturando as transações. Nesse segmento o lucro sobre o patrimônio líquido atingiu 42,7%. A Redecard, por exemplo, que está nesse setor, ampliou em 38% o lucro líquido no primeiro semestre ante igual período de 2008. Segundo analistas, o setor ficou imune à crise porque há uma forte migração para os cartões de outros meios de pagamento."

"Apesar do lucro menor, Bradesco segue mais lucrativo
por Guilherme Fogaça
O lucro líquido de 1,81 bilhão de reais registrado pelo Bradesco no terceiro trimestre representa uma queda de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado é inferior ao do Itaú Unibanco, que apresentou um lucro líquido de 2,27 bilhões de reais. Mesmo assim, ao analisar a relação entre o lucro e o patrimônio dos bancos, o Bradesco continua sendo o mais lucrativo. Segundo dados da consultoria Economática, o retorno do Bradesco foi de 4,76%, contra 4,72% do Itaú Unibanco e 0,82% do Santander (o Banco do Brasil ainda não divulgou os resultados do trimestre)."

"O quadrado não é redondo
14/08/2008, 08:13
Autor: Sintaf/RS
Fabio Colletti Barbosa*
É preciso jogar luz nessa discussão, com fatos concretos. As instituições financeiras brasileiras não apresentam lucratividade excepcional, comparadas a outros setores. Estudo do professor Domingos Rodrigues Pandeló Jr., do Ibmec, cotejou o desempenho de 48 bancos, que detêm quase 100% dos ativos, com 50 empresas da indústria, do comércio, agrícolas e de serviços, com base na rentabilidade do patrimônio líquido (divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido) e na rentabilidade dos ativos (divisão do lucro líquido pelo ativo total) de 2006. Enquanto a mediana da rentabilidade do patrimônio líquido dos bancos atingiu 19,7%, a das demais empresas foi de 16,1%. A rentabilidade dos ativos dos bancos, por sua vez, foi de 1,8%, ante 5,9% dos outros setores. Outro estudo, da Austin Rating, examinou o desempenho de 672 empresas de capital aberto, agregadas em 28 setores, a partir do resultado apurado entre janeiro e setembro de 2007, com base no retorno do capital próprio investido (a relação lucro líquido sobre patrimônio líquido). Os quatro setores mais rentáveis apresentaram lucratividade entre 24% e 34%, enquanto o setor financeiro (148 bancos) ficou em 14° lugar, com rentabilidade de 12,5%."

Ou seja, desmistifica-se mais uma crença que tem sido difundida há muitos anos: o setor bancário brasileiro, a despeito de ter lucros enormes em termos absolutos, tem uma lucratividade sobre o patrimônio liquido bem baixa. Mesmo os elevados "spreads" não são suficientes para garantir uma alta lucratividade para o setor. Como explicar o porquê deste disparate? É o que veremos adiante.

Qual tem sido a justificativa do governo nos últimos 15 anos para a manutenção do sistema de metas de inflação, através do qual o governo aumenta e diminui a taxa SELIC, que remunera os títulos da dívida pública, quando há uma tendência de crescimento da inflação? Será que o aumento na taxa de juros SELIC, que é muitas vezes mais baixa que aquela cobrada pelo empreśtimo pessoal e financiamos, tem o condão de frear de fato o consumo, e, por consequência, promover uma redução dos preços?

Por outro lado, a inflação brasileira tem sido semelhante à inflação dos EUA. Só que lá a taxa de juros real paga pelo tesouro americano é negativa (o investidor perde dinheiro se aplica em títulos do tesouro americano), enquanto no Brasil temos uma das taxas reais mais altas do mundo, quando não é a mais alta, como de costume.

Estas elevadas margens do sistema bancário brasileiro se explicam por diversas razões, assim como o Banco Central tem tentado justificar as taxas SELIC e as taxas de juros reais campeãs mundiais de todas as formas, com sucesso decrescente, é verdade. O que pretendemos demonstrar é que todas as explicações, todo o discurso que embasa e justifica tanto um quanto o outro fenômeno são absolutamente falsos.

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