quarta-feira, abril 21, 2010

O Brasil perde tempo.


Previsão do FMI para o crescimento em 2010.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/fernandocanzian/ult1470u723785.shtml

WASHINGTON - Com uma inversão completa de papéis entre países ricos e pobres, o mundo finalmente volta à rota do crescimento em 2010.

A grande dúvida é a sustentabilidade. Se não haverá um repique da crise nos próximos meses por causa do maciço endividamento estatal nas economias avançadas.

O FMI estimou hoje que o mundo crescerá 4,2% neste ano. No Brasil, o PIB poderá evoluir 5,5%. Na China, corretamente concentrada em seus problemas de fundo, quase o dobro, 10%.

Na zona do euro, o crescimento deve ser pífio, em torno de 1%. Nos EUA, epicentro da crise de 2008-2009, a recuperação "numérica" será um pouco mais forte do que a europeia, perto de 3%. Mas o país segue com desemprego elevadíssimo, em 9,7%, com o recorde de 6,5 milhões de pessoas sem trabalho há mais de seis meses.

O mapa abaixo mostra como o mundo deve evoluir no biênio 2010-2011. Quanto mais para o azul, mais crescimento. Mais para vermelho, pasmaceira econômica.

O FMI vê uma recuperação lenta e gradual pela frente. Adverte, porém, para a possibilidade de o mundo desenvolvido bater em um "paredão de dívidas".

Nunca, desde a Segunda Guerra, o mundo desenvolvido deveu tanto. Desta vez, não houve nenhuma guerra. O endividamento é fruto de gastos estatais para tirar o planeta da borda do abismo de 2008.

Além de os países desenvolvidos terem agora de controlar gastos e arrumar dinheiro na praça para rolar dívidas recordes, há US$ 5 trilhões (quase três PIBs do Brasil) em papagaios bancários que precisarão ser refinanciados pelo sistema financeiro nos próximos 36 meses.

O maior risco agora é não ter a gaita para todos.

O "preço" do dinheiro segue a mesma lei da oferta e da procura. Ele pode ficar muito caro (via juros) se muitos precisarem de um estoque limitado de moeda. Esse custo maior pode inviabilizar uma ainda incipiente recuperação nos países avançados.

No caso dos emergentes, a situação é outra, especialmente no Brasil.

O FMI já vê indícios de superaquecimento na economia brasileira. Aposta que o Banco Central aumentará os juros, a fim de baixar o crescimento do PIB em 2011 para cerca de 4%.

Se isso ocorrer, não será um desastre. Só mais um indício de que o país ainda não está preparado para crescer mais rápido sem ter a inflação como convidada na festa.

O motivo é conhecido: faltam investimentos em fábricas, serviços e em infraestrutura para acabar com gargalos.

É mais do que obrigação dos candidatos à Presidência colocar isso no centro do debate eleitoral. Especialmente agora, quando emergentes como o Brasil poderiam ocupar novos espaços.

Evocar Maluf e Pitta (como fez Serra contra Dilma) e biruta de aeroporto (Dilma contra Serra) é, além de infantil, um desrespeito com o eleitor-contribuinte.

*

O Banco Mundial acaba de dar um presente para curiosos ou a quem chafurda em gráficos, números e estatísticas sobre países. Disponibiliza agora de graça todo o conteúdo de seu site, antes restrito a assinantes.

http://data.worldbank.org/

Nenhum comentário: