sábado, julho 03, 2010

Eu sei o que eles previram para as eleições passadas

Estas eleições mostram claramente como os meios de comunicação continuam a utilizar-se de falácias na tentativa de agradar aos donos do poder. Na presente quadra, a "moda" é impulsionar a candidatura da Dilma "Vazio na cédula" Rousseff, valendo-se da opinião dos ditos "especialistas" eleitorais, que saem de suas catacumbas de dois em dois anos para ditar aos eleitores qual deve ser seu comportamento adequado de acordo com suas estapafúrdias "teorias". Para isto, vale tudo, até utilizar as mais elementares falácias e esgrimir os mais ilógicos e insustentáveis argumentos. Senão vejamos.

Num primeiro momento, diante da improvável eleição de uma candidata tida como arrogante e grosseira, ateia e extremista, ou seja, o avesso do eleitorado médio brasileiro, sem qualquer experiência político-eleitoral anterior, a imprensa "engoliu" - e as verbas publicitárias estatais e dos empreiteiros que (se) servem (do) ao governo devem ter ajudado a lubrificar-lhes as gargantas para isto - e reproduziu o mito do Lula "Rei Midas", capaz de transformar todos que tocasse em eleitos por antecipação. Para tornar (um pouco mais) crível esta estória, seria preciso inventar uma nova teoria política - sem qualquer base na realidade nem na história das eleições brasileiras - de que apenas a economia é importante, quando a verdade histórica mostra que o eleitor brasileiro tem se baseado muito mais numa relação de confiança pessoal para conceder seu voto, e a própria eleição do Lula, após três tentativas, mostra bem isto.

A tese da grande imprensa, e corroborada pelos tais "especialistas", é de que esta eleição já está ganha desde sempre, que qualquer "poste" seria alçado automaticamente à condição de eleito assim que o "coroné Lula" dissesse ser ele o escolhido. Tomam-se pesquisas eleitorais - a maioria delas sequer concorda consigo mesma - como se fossem provas definitivas desta verdade absoluta. Alguns prefeririam - isto com certeza - que nem houvesse eleições. Mas, para infelicidade de alguns, ainda as há, e as próprias pesquisas insistem em derrubar a tese do Lula invencível.

Tome-se, apenas para refrescar a memória, as últimas duas eleições. Em uma, na de 2006, o Geraldo Alckmin quase vence ninguém menos que o próprio "Coroné Lula", faltando apenas 6% para que isto ocorresse. Nestas eleições o desempenho do Geraldo Alckmin foi minimizado pelas pesquisas até as vésperas da eleição. Erraram até a pesquisa de boca-de-urna. Pelas pesquisas, nem mesmo o Jacques Wagner - hoje governador da Bahia - teria sido eleito. É útil lembrar que o Lula se esforçou pessoalmente para tentar eleger seus aliados, tendo sido derrotado em quase todas as suas tentativas. Verificando as eleições de 2008, tem-se outra série de derrotas do PT. A Bahia e São Paulo, por exemplo, ilustram bem o quão "eficiente" é o Lula para transferir votos para seus aliados: o PT foi um dos partidos derrotados nestas últimas eleições municipais. Estes dois exemplos deveriam ser suficientes para mostrar quão falsa é esta tese, que vem sendo destilada e espalhada de forma pouco honesta, para dizer o mínimo.

É certo que o Lula tem a seu favor a máquina estatal e nenhum pudor ou constrangimento em passar por cima do que quer que seja - ai incluso até mesmo a Lei e as Instituições que jurara defender - para tentar eleger seu sucessor. Este empenho todo, que algumas vezes chega às raias do desespero, passando por cima da Lei e fazendo pouco caso das instituições, é muito estranho que parta de um Presidente da República que até mesmo seus opositores como eu não negam os méritos do seu governo. Isto leva qualquer um a tentar entender as suas reais motivações. Qual afinal o motivo para o Lula para querer eleger seu sucessor a qualquer preço? Apego ao cargo, medo de revanche, medo de que auditorias profundas venham a revelar escândalos, que mostrem possíveis "podres" do seu governo?

Independentemente disto, nem mesmo as pesquisas encomendadas pelos aliados estão dando conta de tornar a "escolhida pelo Rei Midas" como um potentado eleitoral. As pesquisas do instituto mais sério - o Datafolha - mostram que a Dilma pode ter chegado no seu teto. Ainda assim, todas as "análises", "reportagens" e "comentários" lidos na grande imprensa dão como certa a tese de que o Lula é invencível, seja ele mesmo ou quem quer que ele escolha ou indique. Chega a ser desrespeitoso para com o eleitor, como se não fóssemos nós, cidadãos, a quem coubesse escolher o Presidente do país dentre os candidatos que se apresentam.

A se acreditar nos números do Datafolha, que se pode dizer aos 40% que disseram que votarão no José Serra e aos 10% que disseram que votarão na Marina? Que estes eleitores estão errados e deverão mudar de idéia até as eleições, porque existe alguma regra oculta ou lei sobrenatural que diz que o escolhido pelo "Coroné Lula" tem que vencer? A Folha de São Paulo chega a desqualificar os eleitores do Serra, como se vê a "reportagem" deste link.

A Folha de São Paulo desqualifica até mesmo seu instituto de pesquisas, o DataFolha, como se pode observar analisando o gráfico abaixo reproduzido que mostra a evolução das intenções de votos para presidente pesquisados pelo instituto. Qual a conclusão que se poderia tirar deste gráfico? Que o Serra e a Marina continuam onde sempre estiveram, enquanto a Dilma cresceu alguns pontos.



Sabem qual a lide da matéria publicada pela própria Folha? Que segundo pesquisa recente do Ibope Serra teria "se recuperado" e empatado com Dilma! (vejam aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/761532-ibope-aponta-recuperacao-de-serra-e-novo-empate-com-dilma.shtml). Isto tudo torna-se ainda mais escandaloso quando se sabe que a pesquisa do DataFolha é mais recente que a do Ibope, embora a publicação da pesquisa Ibope tivesse sido deliberadamente retardada para depois da publicação da pesquisa DataFolha. Neste caso, se fosse para comparar os números do seu Datafolha com os do Ibope, presumindo que a Folha confiasse em seu próprio instituto de pesquisas, a manchete seria outra: finalmente o Ibope se corrigiu e os seus resultados se aproximaram com os do Datafolha.

Toda aquela espuma feita na tentativa de criar um clima de "já ganhou" pró-Dilma, com alguns institutos nitidamente chutando números, mostra claramente o quanto não se pode confiar nesta gente.

Seria ridículo - e é, mas é dito com tanta seriedade e tanta frequência que somos obrigados a levar tal disparate como se fosse algo sério - se não fosse absurdo, acreditar em tantos palpites dos tais "especialistas", que nunca se cansam de serem desmascarados pelas urnas. A cada 2 anos - em épocas de eleições - estas pragas ressurgem das suas catacumbas para fazerem suas "previsões" e elaborar - a soldo - teorias para tentar prever aquilo que os donos do dinheiro e do poder querem que seja o resultado das urnas.

Eleitor? Eles não reconhecem a legitimidade de eleitor algum. Se os eleitores elegem outros que estavam fora de suas previsões, erram os eleitores. Eles? Voltam mais ricos para suas catacumbas e contam com nossa pouca memória - e a da imprensa, que deveria verificar melhor o que estes "seres" andaram dizendo nas últimas eleições antes de sair por ai reproduzindo acriticamente suas "previsões".

Eu, como estou vacinado, prefiro esperar a opinião que será dada no dia das eleições. Esta é a verdadeira e única pesquisa que me interessa, pois eu sei o que eles previram nas eleições passadas...

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