domingo, agosto 22, 2010

Porque o Lula está sendo "endeusado".

Vejam este gŕafico, que foi feito a partir de dados do Banco Central do Brasil:












Este gráfico explica muito sobre a popularidade do Lula.

Este outro gráfico abaixo mostra a inadimplência, segundo dados do Serasa. Enquanto a inadimplência geral oscila bastante, um fato salta aos olhos: o chamado refinanciamento tem crescido consistentemente. Isto pode significar que os bancos estão preferindo manter o dinheiro emprestado, mesmo depois do cliente ter atrasado o seu pagamento, a tentar obtê-lo de volta pela via do protesto.












Isto pode estar se dando não porque os banqueiros estejam mais "compreensivos", e sim porque, ao refinanciar os débitos, o banco diminui o seu próprio risco, ao menos nos balanços enviados para o BC e para o mercado. Ou seja, especialmente a partir de 2003,  os bancos estão preferindo refinanciar as dívidas não pagas na data do vencimento pelos seus clientes, de forma a não aumentar a percepção de risco sobre sua carteira de empréstimos como um todo.
É claro que esta atitude dos bancos pode ser entendida como uma espécie de "mascaramento". Será que estes clientes, se forem efetivamente exigidos, vão conseguir honrar seus compromissos?  Vejam no gŕafico o período mais agudo da crise sobre o sistema financeiro nacional, entre novembro e dezembro de 2008.  Uma simples parada no refinanciamento provocou um enorme pico na inadimplência geral. Em seguida, os bancos retomaram os refinanciamentos, provocando uma queda na taxa de inadimplência geral.

O gráfico abaixo mostra que a taxa média de juros reais (descontada a inflação do IPCM) anualizada está em torno de 30%.




Parece que está havendo uma aliança informal entre os banqueiros e os petistas no governo: os banqueiros emprestam cada vez mais, mascarando a inadimplência. Este aumento no financiamento do consumo, a taxas extratosféricas (30% a.a.!) faz com que os bancos tenham lucros astronômicos. Por outro lado, o governo surfa na idéia de que milhões de pessoas, que passaram a consumir a partir do endividamento, pertencem agora à classe média. 


Não sei se todos sabem, mas o conceito de classe normalmente utilizado baseia-se em padrão de consumo. Assim, alguém que mora na rocinha, em casa própria, tem telefone celular, computador, forno microondas e um carro, é considerado classe B ou até A! 


Este tem sido o mote do governo: tiramos milhões das classes D e E e colocamos na classe média. A renda do brasileiro, entretanto, continua a mesma. O que mudou foi o padrão de consumo, que agora está sendo financiado de maneira fácil, cara e insustentável.

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