sexta-feira, novembro 12, 2010

A crise do PanAmericano e o "subprime" à moda do Brasil

Esta crise do PanAmericano é quase idêntica àquela que detonou a atual crise financeira (agora também econômica) mundial. Retire-se as hipotecas e coloque-se os financiamentos de carros no lugar, a essência é a mesma.

Na crise gestada nos EUA, os bancos vendiam direitos creditícios sobre hipotecas. Uns revendiam aos outros, misturando hipotecas sadias a hipotecas de inadimplentes. No caso brasileiro, o PanAmericano vendeu direitos sobre os carros financiados. As diferenças acabam aí.

É bem possível que os bancos brasileiros estejam negociando estes direitos sobre financiamentos "podres" uns para os outros, em alguns casos, como no do PanAmericano, sem sequer dar baixa da venda destes direitos em seus balanços.

O pior de tudo ainda virá, pois os bancos que compraram tais direitos sobre os carros financiados provavelmente os compraram com algum deságio em relação ao valor de face. No caso, se o valor do financiamento era de R$ 30.000,00, devem ter comprado por um valor menor que este. Porém, nos seus balanços deve constar o valor do ativo como se ele estivesse à disposição para ser arrestado e posto em leilão, no qual se apuraria, pelo menos, o valor do carro equivalente ao do financiamento.  Todos nós sabemos, entretanto, que muitos (e põe muitos nisto) dos que financiaram carros foram laranjas que apenas emprestaram seus nomes para um golpe, e já repassaram os carros para pessoas sem a menor intenção de honrar o financiamento. Na prática, este crédito que está no balanço dos bancos não vale coisa alguma. Ou seja, existe um monte de papel "podre", que não vale nada, contabilizado nos balanços dos bancos.

Ou seja, preparem os bolsos, pois o governo terá que arrecadar bastante mais impostos para "salvar o sistema financeiro", eufemismo que, na prática, significa manter os banqueiros ricos.

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sds.
Written by - Escrito por:
José Augusto M. Andrade Jr. - JamaJ

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