sábado, outubro 11, 2008

Comentários sobre o texto do Blog do Josias

Dizem que é inútil combater raciocínios sectários, movidos pelo ódio e pela frustração incontidos, mas é útil para testar os argumentos, expondo-os ao crivo do contraditório e da própria realidade concreta.

Em primeiro ligar, o Brasil não está nem melhor nem pior do que sempre esteve, tanto no governo do Fernando Henrique quanto no atual governo Lula. E isto se deve, principalmente, aos gastos excessivos do Estado brasileiro, que é e sempre foi perdulário.

Este profundo e crônico déficit, a partir do plano real, sofreu uma mudança apenas em sua forma de financiamento: deixou-se de emitir moeda - que provocou e provoca hiperinflação - para se passar a emitir títulos do tesouro.

E por que não se fazia isto antes? Faltaram os "gênios na ocasião"? Não. Não se fazia principalmente porque o Estado brasileiro não possuia credibilidade, nem a economia apresentava taxas de inflação suficientemente razoáveis para convencer os investidores - nacionais e internacionais - a comprarem tais títulos em larga escala.

A herança recebida por Fernando Henrique foi a de um Estado falido, burocrático, interventor, metido a empresário, sem credibilidade, desestruturado, perdulário et cetera. Somente o petista mais ignorante pode desconhecer esta realidade; e, mesmo assim, bastaria pesquisar a história - até recente - e perceber a profunda reforma e reestruturação necessárias para permitir que este déficit pudesse ser financiado através de títulos de longo prazo, deixando de impactar diretamente na taxa de inflação.

De fato, o plano real foi exitoso no combate à inflação basicamente porque atacou um dos principais problemas do Estado perdulário brasileiro: ao reestruturar o estado e dar confiança aos investidores, permitiu que surgisse uma forma não-inflacionária de financiar o Estado brasileiro.

A segunda parte deste programa, entretanto, não foi implementada. E, novamente, devemos nos perguntar por que não foi. A segunda parte do programa demandaria a reforma do Estado brasileiro, de forma que pudesse ser possível oferecer um conjunto de benefícios sociais, tais como saúde (SUS universal), educação (em todos os níveis), previdência pública, et cetera, ao mesmo tempo de forma sustentável a longo prazo e com mínimo impacto sobre o déficit a ser financiado.

Neste ponto, os detratores do Fernando Henrique poderiam começar a preparar seus fogos de artifício. Mas, mais uma vez, esperem. Talvez vocês mesmos tenham grande parcela de responsabilidade sobre isto. De fato, qual foi a posição dos partidos - ditos de esquerda, embora hoje poucos petistas tenham a desfaçatez de afirmar que o gov. Lula é de esquerda - à época?

É útil, para aqueles que duvidarem, que refresquem sua memória lendo os jornais e vendo vídeos da época, que mostram como o populismo, tanto o de "esquerda" representado pelo PT e seus eternos aliados, quanto o de direita, que no Brasil divergem - a esquerda e a direita - apenas no discurso.

Ao sabotarem as reformas, por serem elas impopulares, retiraram do Plano Real o seu princípio fundamental, que tornaria possível ter-se, mais adiante, ou seja, nos dias de hoje, um crescimento saudavel.

E o Lula. Bem, antes de mais nada, não houve qualquer mudança na política econômica no governo Lula. Houve uma mera continuação da política econômica anterior. Em função do excesso de liquidez gerado pelos Estados Unidos para financiar suas guerras pelo mundo afora, o mundo passou a surfar numa onda de crescimento econômico, que por sua vez gerou - ou inflou - uma bolha especulativa nos mercados.

Nenhum comentário: