O capitalismo entrou na sua pior crise. Ao contrário do que Marx dizia, não foi a exploração do proletariado que levou a esta crise. Aliás, a tomada do poder pelos partidos comunistas redundou num enorme fracasso. A verdadeira crise do capitalismo, isto sim Marx conseguiu prever, deu-se nas suas própria entranhas, por suas contradições internas. Não exatamente como ele previra, que haveria crises cíclicas de superprodução - embora elas de fato tenham acontecido, mas o capitalismo se adaptou a elas-, mas sim porque houve um esgotamento das fontes de matérias primas.
O ritmo frenético de produção teve que ser freado, bruscamente, em 2007. Junto a esta freada houve a crise financeira, muito em decorrência do fato de que desde há muito tempo o capitalismo dissociou a multiplicação do capital da produção real de mercadorias, mas tendo como lastro os preços dos ativos todos. Com a queda dos preços, sobreveio uma queda generalizada nos preços dos papéis neles lastreados, e uma súbita destruição de valor em escalas jamais vistas.
Embora dolorosa para as grandes fortunas, que encolheram subitamente, esta é a parte menos relevante. A verdadeira crise se esconde atrás desta: a escassez de energia e matérias primas para manter os níveis frenéticos de produção.
Se o Brasil se saiu razoavelmente bem da crise, isto se deu porque não participou como personagem importante na especulação financeira - sem ganhar nada com isto, evidentemente, de um lado, e do outro porque é o grande fornecedor de matérias primas, ao lado de muitos países como a Índia e os países africanos. Estar na periferia permitiu ao Brasil uma relativa imunidade nesta crise.
Mas, por outro lado, um outro mundo, uma nova ordem, certamente precisará emergir. A questão a ser equacionada diz respeito à sustentabilidade: não há condição do capitalismo continuar como antes, fortemente dependente de matérias primas cada vez mais escassas e explorando o planeta acima do seu limite de regeneração (resiliência).
Os partidos existentes, todos eles, com os olhos voltados para o passado, estão se mostrando incapazes de apresentar uma saída eficaz para o problema. Os que detêm o poder, e também os que estão fora dele e tentando obtê-lo, não tem nada de novo a oferecer, pois situações radicalmente novas implicam sempre soluções radicalmente inovadoras, tomando-se aqui o sentido primevo de radical, que vêm de raiz. Ou seja, quaisquer soluções efetivas para o mundo implicam mudanças na raiz, e ninguém quer perder coisa alguma. Donde, é muito cedo para dizer aonde tudo isto nos levará.
A única novidade na política brasileira, em especial, é a Marina Silva, que saiu do PT e está agora no PV. É uma candidatura inovadora porque soube captar com precisão as origens do problema, enquanto as outras forças políticas continuam a pensar com suas bases no século XX, e muitas delas com atraso ainda maior.
Entretanto, os donos do poder real, capitalistas, industriais, financistas, através das suas vozes na imprensa e suas articulações no seio da sociedade como um todo, já escolheram os dois candidatos "autorizados" do status-quo: Dilma e Serra.
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