terça-feira, fevereiro 16, 2010

Toda vez que há uma redução da taxa de juros SELIC, e isto ocorreu no início do Plano Real, há um aumento no consumo e endividamento. Na sequência, com a dificuldade de financiar o deficit público, há um aumento na taxa de juros e a consequente quebradeira dos endividados, com risco para o sistema bancário. O PROER veio para conter a quebradeira dos bancos.

É lógico que a situação dos EUA era muito mais dramática porque o endividamento dos americanos estava em níveis estratosféricos. Mas, guardadas as devidas proporções, nosso endividamento hoje é historicamente alto, para nosso padrão.

Outro problema, e este é apenas nosso, é que nossa dívida interna é apenas nossa. Não temos condição. como os EUA têm, de imprimir dólares e po-los a circular pelo mundo afora sem gerar inflação aqui dentro. Os EUA podem se financiar de várias formas, seja através de títulos seja através da emissão de dólares, tornando o resto do mundo refém da sua dívida.

Talvez, portanto, nosso endividamento de 40% do PIB seja mais grave que os 100% de muitos países desenvolvidos. Nós não temos quem nos financie, mas eles têm.

Vejam a mais recente crise, que envolve a Grécia, Portugal e outros países da periferia da UE. Quando tais países começam a gastar muito mais do que arrecadam, e seu povo está muito endividado, as torneiras secam, pondo em risco todo o sistema financeiro internacional, pois os detentores de títulos temem que os papeis que detêm não valham mais nada. O desespero toma conta porque ninguém sabe o impacto que tais papeis terão sobre os balanços dos bancos, gerando desconfiança e medo de nova quebradeira.

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