domingo, junho 27, 2010

Crise mundial: EUA+BRICS X União Européia

Diante da perspectiva de uma crise longa e profunda, materializada sob a forma de uma depressão econômica com deflação, fruto dos ajustes fiscais que estão sendo realizados pela União Européia, os EUA, com o apoio dos BRICS, propõem uma solução alternativa, que seria a "grande pedalada".
A "grande pedalada" significa continuar a injetar dinheiro no sistema financeiro, aumentando a oferta de crédito até que a economia volte a funcionar de forma acelerada, com fartura de crédito, empurrando o problema para o futuro. Trata-se não de resolver os fundamentos da crise, mas de empurrar a crise para o futuro. O Brasil está do lado dos EUA. Mas a União Européia mostra-se relutante em adotar esta solução.

A expressão "grande pedalada" foi criada pelo Dr. em Economia Paulo Rabelllo de Castro, e pode ser melhor entendida através de alguns de seus artigos, como este a seguir:
http://www.abrapp.org.br/ppub/portal/adm/editor/UploadArquivos/29congresso/0411/plenaria2/PauloRabellodeCastro.pdf

No fundo, esta escolha por parte da U.E. tem muito mais a ver com reserva de valor e manutenção de riqueza do que com a situação conjuntural propriamente dita. Para os países europeus, interessa manter o valor acumulado das suas riquezas. São países que atingiram alto grau de desenvolvimento e de riqueza acumulada, mas tal riqueza precisa ser mantida através de investimentos realizados, tanto produtivos (empresas multinacionais européias) quanto financeiros (empréstimos, seguros, etc).

Para os EUA, entretanto, a questão é outra. Os EUA gastaram muito mais do que seria aceitável, o que se refletiu na sua imensa e impagável dívida. A quem os EUA devem esta fortuna impagável? Em grande medida, aos nobres e milionários europeus e do oriente médio.

Ou seja, na visão da U.E., trata-se de cada um - inclusive EUA - reduzir seus déficits, de forma a recuperar a riqueza a longo prazo, zerando as contas. Para os EUA, que devem demais, um cenário de depressão econômica apenas acentuaria sua incapacidade de pagar, gerando o maior e mais devastador calote da história. Argumentam que, como os EUA podem emitir dólares, em último caso a riqueza investida nos EUA, num cenário como este, viraria pó.

Ou seja, os EUA tem o mundo como refém: se lhe exigem a dívida, ela vira pó, porque é impagável.

O assunto a ser discutido longe da imprensa na atual reunião do G20 é justamente a proposta Norte Americana de dar uma "grande pedalada", retirando o mundo da depressão econômica. Resta ver se a U.E. aceitará este "script".

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